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riscos_e_rabiscos

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Egoismos e Ganâncias.

 

 

Há várias coisas que me fazem sair do sério. Principalmente, se disserem respeito a crianças e animais.

 

No meu dia de aniversário, havia também no colégio outra menina que fazia anos, como acho que já tinha contado.

É uma criança filha de pais portugueses mas que vivia num país anglo-saxónico só que agora veio para Portugal, ficando a viver com a tia.

Neste momento, encontra-se em processo de adaptação quer à escola, quer à língua materna.

 

Durante toda a semana a tia da menina andou a falar de um bolo de aniversário, querendo saber quantas pessoas estariam no colégio para poder fazer a encomenda do bolo.

Assim sendo, optei por não levar bolo de aniversário para a escola pois os miúdos não comeriam tanto bolo.

Decidi levar uma sobremesa e oferecer um saquinho com guloseimas a cada uma das crianças.

 

Chegado o dia do nosso aniversário, ao deixar a miúda do colégio, a tia entrou para me dar os parabéns. Reparei que vinha com as mãos vazias mas pensei que iria levar o bolo mais tarde.

É então que ela me diz que como os tios, os primos e mais um par de botas não podiam entrar nos colégio para cantar os parabéns à miúda, não iria trazer bolo de aniversário.

 

A minha cara caiu ao chão e só me lembrei na tristeza que a criança deveria sentir e da minha burrice por não ter levado um bolo. Fiquei com um nó n garganta e com uma revolta tal que só me apetecia engolir a tia. Não foi só a sobrinha que foi enganada mas também todas as outras crianças. A tia podia ter feito um bolo em casa ou comprado um qualquer no supermercado. Isso bastava.

 

É usual no colégio, sempre que uma criança faz anos, levar um bolo de aniversário para soprar as velas com os coleguinhas.

Se esta criança se encontra em processo de adaptação, não precisaria ainda mais de um bolo aniversário para soprar as velas na escola?

Não será o “bolo de aniversário” um símbolo de união, ligação e interacção entre as crianças?

Mas o dinheiro e o egoísmo dos adultos sobrepõem-se sempre aos interesse e bem-estar das crianças, infelizmente.

 

Como viram a decepção e a raiva estampada na minha cara, a C. e a P., secretamente, foram comprar um bolinho ao supermercado para nos fazer uma surpresa.

Os parabéns foram cantados a mim e à miúda que ficou radiante. A cara dela adquiriu um sorriso rasgado e os olhinhos dela brilharam.

Isto não vale mais do que o dinheiro de um bolo de aniversário?